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Reflexão

A construção da mulher bem sucedida da atualidade

No texto de hoje quero fazer uma breve reflexão sobre a mulher bem sucedida da atualidade. Primeiramente deixo claro que não sou machista, tampouco feminista. Sou a favor do equilíbrio, nada funciona quando se impõem extremos. Não sou psicóloga, não sou filósofa, muito menos uma cientista social, porém sou mulher. O que já me dá o direito de opinar sobre o nosso universo.

Votar, estudar, trabalhar, escolher se quer se casar ou não, são apenas algumas conquistas da mulher ao logo da história. A mulher do século XXI não tem do que se queixar, não é? Ela trabalha, é capaz de produzir o próprio sustento, quando não o de sua família também. Compra casa, carro, viaja, vive sozinha, até filho tem sozinha! “Até” mesmo! Você consegue imaginar uma mulher decidindo ter uma “produção independente” há cinquenta anos? Estaria procurando problemas sociais para sua vida.

Hoje não. É tão comum vermos a mulher independente, bem sucedida andando sozinha por aí. Ela chegou tão alto quanto os homens chegaram. É verdade que apesar de todo este percurso caminhado, ela ainda não é valorizada de igual para igual, quando ocupa o mesmo cargo que um homem, por exemplo. Pesquisas dizem isso.

Contudo, é evidente a ameaça que isso trouxe para os homens. Afinal, aquela que desempenhava seu papel domiciliar, agora está no mercado de trabalho, ocupando altos cargos em diversos setores. E cá pra nós, quando o ser humano se propõe a fazer algo bem feito, ele o faz e ultrapassa todas as barreiras que surgem, sejam elas físicas ou culturais. Foi isso que a mulher fez.

Partindo do princípio de que todos são iguais, enquanto cidadãos, com os mesmos direitos e deveres, realmente acho admirável as conquistas femininas. As jovens de hoje, talvez não possam imaginar como seria viver em um tempo onde a mulher não podia nada e o homem tudo. Eu me contorço só em tentar imaginar. (Ainda sofro um pouco com o resquício que ficou em nossa cultura, na minha família pelo menos. Os meninos, mesmo sendo mais novos, podem sair, chegar tarde em casa, já as meninas, não mesmo!)

A mulher moderna destruiu uma imagem construída século após século. Agora ela é dona de si. Denomina-se independente, dona do seu nariz, comportando-se muitas vezes como o homem malandrão: relaciona-se sem compromisso, não se prende, adquiriu sua liberdade sexual. (Liberdade sexual – Não vamos discutir isso, não agora.)

Bem, a imagem de uma mulher bem sucedida, é clara e quase que concreta, como se ela fosse se materializar aqui, agora. Ela é bonita, veste-se bem, salto alto, cabelo e maquiagem impecáveis, posso imaginar o tamanho do seu salário. rs. Mas isso é só o que o exterior me mostra. Conheço mulheres assim. Talvez não nesse estilo, mas que se dizem bem sucedidas.

 

No entanto, posso ver mais além, vejo perfeitamente quando elas me permitem olhar, seja numa conversa, uma frase que escapou, um olhar que não pode disfarçar, ou qualquer coisa que alguém que gosta de observar as pessoas, consiga detectar. E foi exatamente isso que me fez refletir sobre o que é ser bem sucedida nos dias de hoje. É ter carreira? Bens materiais? É ser bem resolvida? Independente?

Cada uma é capaz de produzir sua própria resposta, que irá ser formada de acordou com a particularidade de cada indivíduo, mas independentemente de qual seja a sua resposta, pode refletir comigo, concordando ou discordando do que digo.

A mulher de hoje, na ânsia de se impor para a sociedade como alguém de sucesso, muitas vezes deixa para trás as pequenas coisas que antes eram por ela mesma apreciadas. Cuidar da casa, do marido, se dedicar ao lazer, aos círculos de relacionamentos são algumas das coisas das quais ela abriu mão. Não falo da mulher guerreira, daquela que precisa dar seu sangue pelo sustento e um pouco de dignidade para si e os seus, mas daquela que criou um padrão de sucesso e erroneamente o vomita em cima daquelas que escolheram, ou não, viver de modo diferente.

Quando paro para pensar, sinceramente não vejo sucesso em ser bonita, ter uma carreira profissional maravilhosa e  trabalhar descontroladamente, sem tempo para os relacionamentos, diversão, coisas simples… para a vida! Qual é o sucesso em chegar no final do dia, não ter com quem compartilhar suas experiências, coisas boas ou ruins que aconteceram durante o dia?

Outro dia eu vi uma pessoa que grita nas redes sociais ser jovem, independente e bem sucedida, num grupo restrito, se lamentar como se sentia sozinha, como os homens a traiam e ela não tinha alguém para amar, quem dirá, ser amada. Do mesmo modo, vejo mulheres com tudo para serem felizes, reclamando da vida, da casa, dos filhos, do marido, do namorado, da faculdade, do trabalho… Ah! Uma lista sem fim! O que eu concluo? Que o ser bem sucedida não é um padrão, não há um modelo a ser seguido.

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A mulher bem sucedida de hoje é a que pensa por si, que não se deixa levar pelo que dizem, mesmo que seja dito pela massa. Ela é capaz de fazer aquilo que traz bem estar e felicidade, ou seja, pode  construir uma carreira profissional invejável ou passar uma vida dedicando-se ao lar, filho e meio metro de jardim, o que pra mim não deixa de ser menos louvável.

Preocupa-me o que um grupo frustrado quer impor para as que estão singelamente vivendo suas vidas, sem glamour e ostentação, entretanto aposto como são mais felizes do que as que dizem que você tem que doar seu sangue, tem que ser assim ou assado. Este grupo dita tudo: sua roupa, seu peso, seu cabelo, seu sapato, sua bolsa, seu salário, tudo, tem que estar dentro de seus padrões. Ah, me poupe! não tem que ser assim!

Ser bem sucedida nada tem a ver com os bens que você possui, seu status social, a carreira que construiu, quantos amigos você tem ou se você está nos padrões de beleza. Ser bem sucedida é amar a vida que você tem, deitar sua cabeça no travesseiro e verdadeiramente conseguir agradecer a Deus por ela.

Ser bem sucedida é ser feliz.

Beijos de luz!

 

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