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Reflexão

A virtude rara de saber ouvir

Olá, pessoal! Tudo bem?

A foto que escolhi para ser destaque desse post, foi de uma ação que participei no lar dos idosos, aqui em Toledo, graças ao Dale Carnegie Course. Na imagem, Robson Silva, o agente graduado que nos apoiou, não só nesse projeto mas durante todo o treinamento e o senhor Valmor, que apesar da idade e debilidades físicas, continua lúcido e cheio de ensinamentos. Em um momento muito emocionante, conversamos com a maioria deles, ouvimos suas histórias, desejos, sentimentos. Ouvimos, verdadeiramente interessados. O resultado disso? Um aprendizado para a vida toda.

Outro dia eu estava fazendo curso em uma cidade ao lado da minha e por duas vezes precisei tomar um táxi. Essa ação tão comum do dia a dia me levou a uma breve reflexão sobre o quanto nós estamos dispostos a ouvir o outro. Geralmente, falar é mais fácil do que ouvir. Podemos falar sobre qualquer coisa, principalmente quando não queremos falar sobre algo mais profundo, falamos qualquer superficialidade para encher linguiça.

O primeiro taxista conversou educadamente o necessário , me cumprimentou, perguntou para onde eu ia, de onde eu era, comentou mais algumas coisas e só. O outro, também educadamente, fez a mesma coisa no início, no entanto não parou por aí, engatamos uma conversa, ele me contou sobre sua vida, seus problemas, sua família e etc. Foi aí, que me perdi em minhas reflexões e fiquei pensando sobre a necessidade que algumas pessoas têm de falar e como outras se negam a ouvir. Pois o homem mal me deixava falar, vi nele essa necessidade de por para fora tudo o que sentia.

A facilidade que temos em acessar as redes sociais e escrever nelas o que estamos sentindo, pensando e a nossa opinião sobre tudo, a meu ver, acaba que nos fazendo pensar que dar o nosso parecer sobre tudo, além de ser um direito, é uma obrigação, como se fosse um delito deixar de fazer isso. O problema é que estamos priorizando apenas o falar e nesse contexto me pergunto: E o ouvir, tem a mesma importância para nós? Ouvimos na mesma proporção?

Li em algum lugar que ouvir não é uma atitude passiva, como muitas vezes pensamos, mas é uma decisão ativa. Decidimos ouvir e quando nos colocamos na posição de ouvintes, com certeza o outro percebe e sente-se bem ao saber que ele pode falar, não apenas para um receptor da mensagem, mas para alguém que processa as informações e é capaz de lhe dar um feedback. Aliás, o feedback  é a prova de que fomos ouvidos.

Todos nós sentimos a necessidade de falar sobre algo com alguém, seja para desabafar, contar algum fato, pedir opinião ou qualquer outra coisa. Às vezes, somos bem sucedidos, outras vezes nem tanto e como é ruim falar para quem não quer ouvir. Eu não insisto.

Ao passo que vou observando as conversas do dia a dia e as relações interpessoais, vejo claramente como as pessoas já deixaram de lado o hábito de ouvir (outras nunca o desenvolveram). A maioria está preocupada em falar, expor, dizer ao mundo a que veio, opinar, criticar e jogar para fora o blá, blá, blá sem fim e assim, incapaz de fazer uma pergunta sincera como um “como você está?”, por medo de ter que ouvir a resposta.

Acredito que significa algo muito importante o fato do corpo humano ter dois ouvidos e uma boca. Seja um bom ouvinte. Ouvir é um exercício que se torna uma virtude.

Pense nisso.

 

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